terça-feira, 20 de julho de 2010

Vínculos

Vínculos só o tempo traz.

Isso é o lado bom da idade. Os 40 chegam em alto e bom tom trazendo as pessoas que me inventaram, me fizeram profissionalmente, juntos comigo, ao meu lado. Outras que acabaram de chegar mas parecem que sempre estiveram comigo. As que voltaram feito um furacão e as que resolveram reaparecer, inusitadamente, em grande estilo. Fato proposital vital?

Meus 40 estão revolucionando a minha alma, o meu jeito, as minhas vontades. Nada importante deixo passar desapercebido. Falo tudo.

Durante a semana passada, a qual me ausentei do blog por motivos de muito trabalho - dei início a minha festa dos 40 - no teatro Casa da Ópera aqui em Ouro Preto, inaugurado em 1770, o mais antigo da América Latina.

E, claro que, eu não poderia abrir esse evento sem falar algumas palavras. Mostro aqui meu manifesto, manifesto de amor, o qual deu inicio a toda a produção do lançamento do livro de Ivald Granto, "Gesture and Art". Afinal eram os meus 40 anos com mais 40 anos de arte de meu mestre e amigo Granato. Não poderia ter sido diferente:

Senhoras e senhores

Meus queridos amigos

Alguém certamente já disse que nós, animais humanos, somos feitos não só do que a herança genética nos impõe, sempre contra a nossa vontade, mas de tudo o que vivemos, do somatório de experiências a que chamamos vida – e, portanto, das pessoas com quem nos relacionamos, movidos pelo amor, pelo ódio ou pela indiferença.

Mas principalmente pelo amor.

Àquilo que o sangue gravou em nós desde muito antes do nosso nascimento, essas pessoas a quem amamos – e que também nos amam – acrescentam, todos os dias, partículas de transformação, de mudança. Elas nos modificam com seus gestos, com seus olhares, com as faces de suas personalidades com as quais nos identificamos ou não. Assim, um pouco a cada dia, a convivência marcada pelo amor tem o dom de nos transformar – e, principalmente, de nos tornar melhores.

Eu tive a alegria e o privilégio de experimentar essa verdade em minha própria vida, ao conviver com esses dois magníficos artistas que reúno hoje aqui, à sombra do Museu da Inconfidência, do teatro Casa da Ópera, junto com meu querido Jorge Fonseca, respirando o mesmo ar de liberdade que, nestas montanhas, tantos artistas e revolucionários já respiraram.

Cada um a seu modo, Ivald Granato e Inos Corradin são marcos da arte brasileira – e vocês terão a oportunidade de conhecer um pouco da magia desses homens esta noite.

Mas, para mim, eles são principalmente amigos, homens que conheço desde que, adolescente insegura, eu buscava um sentido para a vida. E eles, Ivald e Inos, cada um a seu modo, às vezes tão antagônicos, mas sempre singulares, únicos e especiais, me ajudaram a construir meu próprio caminho – muitas vezes em silêncio, muitas vezes apenas sorrindo, outras vezes bebendo um bom uísque, mas sempre me mostrando o quanto amor e liberdade são as únicas leis que devem marcar todos os destinos.

E tem início a noite de bate-papo. Com a palavra: Ivald Granato.


terça-feira, 6 de julho de 2010

Reinventar-se

Reinventar-se seria começar do zero?

Seria o princípio do nada, do incondicional, tantos aos 20, quanto aos 40, quanto aos 60 anos.
Uma suposição? Não, novos conceitos mesmo e, eles tomam conta de você. Aquilo que não existia começa a existir, o que era preto fica branco, o impossível, possível. Reiventar-se significa o desafio de mudar todo o seu jeito de ser, ter, querer, dar, amar...

Longe de Sartre que disse que o homem devia reinventar-se todos os dias, para mim, na íntegra, é querer a mudança mais profunda, mais radical. Transformar obstáculos em aliados, mudar a lente dos óculos e caminhar do outro lado da calçada. Seria encontrar a coragem ainda em gestação e adotá-la como filha.

Largar tudo? Talvez sim, talvez nem precise de tanto, mas se deixar levar por uma outra onda. E isso, definitivamente, não é para qualquer um. É tentar se consertar, mas antes disso, entender estes desconfortos é coisa pra mestre. Aceitá-los, golpe de mestre.

Olhar em volta e ver que tudo poderia ser diferente e querer essa metamorfose para você, já é, no mínimo, heróico.

Seu eu pudesse reinventar minha própria história, hoje, eu a reiventaria. E reinventá-la seria, na realidade, a tentativa de reinventar também a história de outras pessoas que passaram por ela. Tudo tão longe do possível, pois reiventar-se é um ato subjetivo, próprio. Ninguém reinventa ninguém.

E dentro dessa analogia, vendo apenas uma única saída, é continuar se investigando para se deixar seduzir por essa doce vontade de virar frágil. E deixar ser investigada também.

"Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada."
Cecília Meireles

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Feitiço

Beirando os 40 uma surpreendente magia pode surgir de um encontro inesperado e te mostrar que a vida não passa apenas de uma série de inconvenientes...
Pois eu ja achei que fosse... Tem hora que você acha que não vai dar mais, fica tudo tão chato, que a energia do fracasso te engole e você acha que não quer mais nada, mais ninguém...
Que nada!
Um feitiço entrou sem bater e me rendeu.
Outros encantos... Algo maior, magia mesmo.
Ah como a vida nos prega peças...
Sabe aquela sensação boa, aquela que parece que você tem 15 anos? Serotonina do amor, não precisa nem ir para a academia. Maravilha...
Tremedeira, coração disparado, vontade de ver, rever, ver de novo, colar...
Como que pode? Alguém me ajuda a entender?
Crise? Que crise? Crise de ser feliz?
É como se uma mesa cheia de guloseimas estivesse ao meu alcance todos os momentos. Uma mistura de prazer, vontades, cor, cheiros, formas. Isso mesmo, taí, é gula, porque é um desejo insaciável.
É um apego excessivo. Assim a gula torna-se feitiço. Uma provocação.
Epifania?
Feitiço ou fetiche?
Fetiche do francês fétiche, que por sua vez é um empréstimo do português feitiço cuja origem é o latim facticius "artificial, fictício"...
Os dois. Dão no mesmo!
Pecado?
Encanto. Amor?


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cara nova by Ciloca Mesquita

Hoje, aos 100 dias dos 40, este presente.

Cara nova pro blog!!!

Gente a Ciloca caprichou, não???

Tá a cara de Crise dos 40! Tá a cara de Bel Gurgel...

Grande beijo querida! Super obrigada!



Contatos da Ciloca? Olha aqui: ciloca@dflash.com.br


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Layout

Amanhã estarei a 100 dias dos 40...

Hoje, coloquei um fundo vermelho no blog, novo layout? Não, apenas o layout do dia de hoje: vermelho paixão, vermelho sucesso, vermelho êxtase, coração rasgado, pulsando a 1000 por hora!

Na véspera desses 100 dias meus dias ficaram vermelhos da noite para o dia. Uma surpresa de sentimentos me abraçou forte, de uma vez só. Eu, peguei um pincel, tinta vermelha e pintei o fundo da parede do blog feito criança. Virei artista, poeta, minha voz ficou mansa, eu fiquei menos chata, minha tpm virou fichinha, dormi feito anjo - sem remédio -, minha pele tá bonita, coloquei a primeira roupa que achei e ficou ótima...

Mudei não só o layout do blog, como também o lay out da minha vida. Mudei? Não, mudaram. Não, os dois.

Hoje meu ascendente escorpião está vibrando. O vermelho simboliza o poder, é a cor que se associa com a vitalidade, com a ambição. A confiança em si mesmo, a coragem, uma atitude otimista ante a vida.

Se eu passasse numa floricultura hoje, eu que não gosto muito de rosas, compraria 3 dúzias de rosas vermelhas e espalharia por toda casa. Será que passo?

Olho pela janela e meu dia está quase monocromático, vermelho forte como as pinturas de Marchetti.

Amanhã, mudarei de novo, pois quero me transformar a cada dia, durante esses longos 100 dias. Amanhã, chega o bolo ainda sem velinhas by Ciloca Mesquita. Gostoso, recheado, colorido, trazendo para esses últimos 100 dias antes dos 40 as vibrações e as vivências mais deliciosas que pude ter ao logo desses 40 anos.

Meu deleite hoje é vermelho. Te dedico.

domingo, 27 de junho de 2010

Esquecer o esquecido

O esquecimento é uma falha humana.

Você esquece de acordar cedo, esquece de colocar o relógio pra despertar, esquece a chave do carro, o óculos, esquece de comprar o sabão que acabou... Eu sou a rainha dos esquecimentos, pois faço tantas coisas ao mesmo tempo, que quando vejo, de repente, algo não saiu perfeito, porque eu esqueci. O horário do ballet da Sofia, todas as quartas-feiras, resolvi o problema contratando um motorista. Como sair da Fundação às 10:50h, voltar e sair de novo às 11:50h? Não tem lógica...

Esquecer o nome da pessoa que está falando com você e ela fala o teu nome e repete e te abraça, meu Deus, eu fico sem chão nessas horas... Ou você conhece a pessoa, falou com ela outro dia mesmo, foi apresentada, passou a noite conversando, encontra depois de uma semana, e nada de lembrar o nome... Putz, que chato!

Mas esquecer de pegar o filho na escola, graças a Deus, isso nunca aconteceu comigo, porque deve dar uma dor na consciência... Eu já vi cada caso, nossa!

Esquecer é natural, mas se sentir esquecido é uma dor anormal. Combinar com alguém alguma coisa e a pessoa não aparecer - principalmente em casos de encontros amorosos ou quase amoroso - é coisa de outro mundo. Você senta no bar e fica horas. Você do lado do telefone - ele falou que ia ligar - não liga, esquece. Apenas esquece. Como você esqueceu o isqueiro na gaveta. Às vezes, sem querer nem te magoar, mas esqueceu.

Esqueceu daquele encontro virtual só pra te mandar aquele beijo na boca. Mas você passou a noite toda sonhando com aquele beijo bobo, via face, que vira - só na sua cabeça - aquele beijo de novela, ou melhor aquele beijo final do Casablanca ao som de 'As time goes by'. Quem não viu?

Bom, não tem como remediar, o negócio é esquecer o esquecido, voltar para o seu domingo com cara de domingo, ver o jogo da Argentina, se divertir com o Maradona e cavocar a memória.

Escrever para esquecer.




Esboço sobre a idade | Sobri-edade por Cláudia Alencar

Sou a nova balzaquiana, mas mais fraterna: Bovalencar da idade moderna.

Uma das vantagens da idade é usufruir o sucesso dos amigos que se tornaram gênios na maturidade.

Palhaçada mentir idade, mas hoje, quando digo, as pessoas gargalham: - Você é muito engraçada.

Você tem 15 anos de costas, 30 de lado e 40 de frente, diz Lais Jardim.

Ela vê todas as idades se assentando nos sessenta de mim.

As mulheres aplaudem pasmas, os homens agarram logo a cintura, sabendo que não sou donzela.

Todos safados, mas eu me safo como se fosse uma delas.

Os jovens que não são filhos têm uma curiosidade testesteronica incrível.

Os filhos exigem estabilidade emocional, maturidade, sabedoria, mas qual!?


Ajudo muito mais gente do que nos tempos do Rose Bom-bom.

Mais despojada de mim faço caridade a quem precisa sem querer troca suas.

Na alegria da arte e nas pedras dos caminhos me tornei milionária de dons.

Sou palhaço que dá livros, flores e arruaças pelas minhas ruas.

Dou conselhos, colo, presença física durante dias, anos e horas.


Apresento jovens artistas a diretores dando aval, abrindo portas do plim!.

As amigas levo para meditar, revelo caminhos espirituais por décadas estudados.

Inspiro fã de Phoenix que perde quilos, leva vida saudável inspirado por mim.

Apresento pares que fazem ótimos negócios e recuso qualquer tipo de porcentagens.


E vem os elogios, prêmios do Tempo - esse Senhor Hors Concurs da Formula Um.

Minhas opiniões são mais respeitadas, minha poeta ganha homenagens.

Meus amigos, internacionalmente reconhecidos, Tomoshigue, Tozzi, Gruber, Granato,

queridos de Sampa, de moça criança, da era performática, barbarizadores da cena paulista.

- Meu, mó barato.

Nos abraçando vinte anos depois emoções jorrando delicadamente desatadas.

A poeta, mulher do Peticov, entrega seu livro e diz sentir-se honrada se eu a ler:- Venero seus escritos....

Imagine! Imagine só... A que ponto chegamos do pódio e da ilusão.

Mas acalentou meu coração sentir que todos foram tatuados por mim e em mim.

Tiram fotos como fãs, ouriçados pela minha arte e juventude que é templo da minha maturidade.

Essas são algumas das felicidades de se ter mais idade.

Mas há as tristezas dela.

De saber me mais perto da Dona fatal coisa que não assusta, mas entristece.

O jogo está acabando e é preciso mais gols, ser mais feliz do que sou.

Como fazer mais se a cabeça é a mesma no pensar.

Como ser Beauvoir se sempre fui Pagú.

Como ser Isadora Duncan se sempre fui Claudia Alencar.

Como ser Pelé se sempre fui Rivelino.

Mas fugi de Mefistófeles, para nunca ser Fausto e amargar o arrependimento final.

E ainda há tempo de fazer mais obra de arte, de beijar o homem-menino.

Sei que trago a melancolia de não ter feito tudo o que podia.

Se bem que ainda estou, aqui, belamente viva

Casada com o Senhor Hors Concurs dançando nossa chama: essa folia.

E um ps: o desejo permanece, mas o entusiasmo, pouco a pouco esmaece, mas não fenece.


Viva!






Gente e quem diz que essa belezura tem 60? Ninguém! 60 de experiência, de vida bem vivida. Porque fisicamente: dá-lhe crise dos 40 nas quarentonas como eu!!!! Dá-lhe Claudinha!!