quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O tempo

O tempo traz lucros, histórias; traz bom senso...

Estou feliz com o tempo.

Me trouxe a tranquilidade e a segurança de ser quem eu sou.


O tempo mostra quem fica, quem permanece, quem existe e quem desiste. O tempo mostra as verdadeiras caras, as várias facetas. Nada como o tempo para desestimular ou estimular. O tempo auxilia, contribui para mostrar os contornos reais do rosto, do corpo.


O tempo esclarece regras, traz à tona julgamentos, remédios, acertos e erros.


O tempo; para deixar claro quem são as pessoas, cada qual a sua maneira. Para transformar amigos em irmãos, passageiros em desastres, filhos em adultos, amores sofridos em passado. Para dar volume nas relações.

O tempo para olhar para atrás e ver quem foi e quem ficou para a história.


Para trazer um novo amor.


Para respostas certas.


O tempo que não pára. O relógio da vida que conta segundos, minutos, horas, detalhes sem medo, com astúcia.

Só o tempo para transformar. Para tirar as máscaras. Aos 40 eu, vendo essa transformação em mim e nas pessoas. Sentindo na pele. Como é bom!


É o que me faz acreditar, ressurgir, olhar com outros olhos.

É a vantagem que os 40 traz! É a grande sacada dos anos!


Eu agradeço meus 40 por não me fazer cega e me dar sabedoria para deixar que o tempo tome conta do que é realmente necessário.


Lendo um trecho do Carpinejar:

"Existe um único antídoto para a falta de tempo. Um único.
Estar apaixonado.
Esquecer de si para inventar o desejo.
O desejo transforma-se no próprio tempo.
Tudo é adiado."

O tempo para saber distinguir entre paixão, desejo e amor ou todos juntos.

O tempo para deixar ser vista, sem receios, de qualquer forma, a qualquer hora. Um livro aberto.





sábado, 16 de outubro de 2010

Salto alto!?

Estou pronta. Estou pronta sim. Pronta para os meus 40.

Sai, fiz coisas que já há anos eu queria fazer, mas nunca deu certo.
Ontem achei tempo para mim. Peguei a estrada e fui parar numa loja de tecidos que adoro. Resolvi que vou mandar fazer umas roupas...

Faz tempo que quando entro nas lojas de roupas e procuro algo diferente, inédito, não acho exatamente o que eu quero. Quando acho, são caríssimas... Vi uma túnica, numa loja que eu amo, R$ 1.800,00, que é isso? Há anos que tenho pensado nessa hipótese de criar meus próprios modelitos, mas como sempre estou correndo, nunca arranjo tempo. Arranjei.

Acordei inspirada. Eu queria virar gente grande: mais mulher, mais bela, mais colorida, mais vital!

Soltei para uma amiga: - Agora que cresci, que não sou mais criança, quero comprar um sapato de salto alto. Altíssimo!

Quer dizer que, até os 39 - fazendo uma auto-analise - eu estava achando que podia enganar, que eu ainda era a caçulinha mimada. Agora, tarde demais. Não tem mais jeito... A ladainha acabou. Os 40 chegou.

Para equilibrar, acho eu, pois não sou compulsiva, fui as compras. Pensei em túnicas com calças compridas, em florais mas não comprei, pensei em Hawai, em praia, areia. Pensei em família, amor, pensei em vestido de noiva e os modelos foram surgindo esvoaçantes... Tecidos moles para macacões folgados e mole-gatos... Tafetás, tecidos lustrosos, para túnicas e calças...

Sapatos altos, altíssimos estão por todos os lados. Quer saber? Eu quero! Procurei algo mais clin, dentro dessa infinita linha contemporânea e achei. Não comprei um, comprei dois, pensando ainda nas peças que vou criar. Pensando mais um pouco, em tudo que quero mostrar e ser aos 40. (Ouro Preto me dá licença, me ajuda pois 'estou precisada' de saltos agulha!)

No meio de tudo passo os olhos numa vitrine e vejo um jogo de lençóis brancos. A cama está montada, linda... Os lençóis me chamavam, gritavam meu nome... Mil fios... Roupas novas, sapatos altos e a cama? Onde fica? No ponto principal, claro! Jogos de lençóis novos. Macios, chiques, brancos, preferidos brancos, junto das sacolas de tafetás e saltos. União perfeita para os 40!

Quero criar o que não foi criado para mim mesma. Quero tempo para mim. Quero a casa linda junto comigo.

Um impulso vital acelerado, querendo e sentindo o novo. Respirar é bom. Viver, melhor ainda!




quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cronômetro

O que farei com o cronômetro?
Passarei ele para os 50 anos: 10 de outubro de 2020.
Toda a crise dos 40 em 10 anos... dos 39 aos 49... chegando aos 50 anos...
É muita crise!
Mas crise de rir, crise de trabalho, crise de amores, crise de ficar mais velha, crise econômica... Enfim, todas as crises!

Aguardem! Estou pensando...


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Crise dos 40!

09 /10/2010

“Emancipar-se da escravidão mental, que é identificar a própria e particular visão com o infinito abissal do Universo, é um ato de coragem, a negociação de que haja diferença entre o observador e o próprio ato de observar. Ninguém além do próprio humano no mais profundo de sua intimidade pode libertar-se do errado conceito de haver diferenças que o separem ou distanciem da natureza, de seus semelhantes ou dos astros que levitam no céu. Só vive com medo quem leva a sério demais as particularidades que o distanciam do Universo. Superar esse medo é lançar-se de braços abertos à vida, reconhecendo intimamente que tudo é vida, que tudo é da própria natureza da vida e também reconhecer que a necessidade comanda todos os passos.”

Quiroga


Chegamos. Já estamos na ilha. Não tem internet, TV, telefone, nada.

O mar estava bravo, as ondas batiam forte no barco. Vento forte no rosto.
Está frio, mas quero banho de mar e Sofia faz questão.

- Leva Yemanjá, leva embora a inhaca.

Amanhã, aos 40, estarei limpa.

É minha infidelidade no dia 10 com o blog esse sentimento que eu sinto ou eu posso mudar tudo até mesmo a história do crise dos 40? Egoísmo? Egocêntrica? Liberdade.

Estou longe. Na minha última noite dentro dos 30... Meu último dia aos 39.

Ouço as ondas batendo, ouço Chico Buarque.

Foi preciso. Me perdi as vésperas dos meus 40. O tempo dá sustos. O tempo dos outros, mais ainda.
Tive que me procurar. Me achei. Ufa! Me encontrei. Claro, não me achar numa data dessas seria dar a vitória a alguém que desconheço, eu não me reconheceria... Esses 40 me ensinaram... Me ensinaram um outro lado da moeda. O lado da razão. Do anti-sonho. Da verdade nua e crua. De ter a certeza que existe um mundo paralelo, que eu nem conhecia, onde é proibido a paixão. Não existe. Em que o sonho é jogado fora.

E sem sonho, não tem como viver. Não tem como viver meia-hora sem paixão! Não! E onde fica o encanto? Perdi? Não, não... Esse mundo não é meu... Esse mundo é de outra... Talvez de uma pervertida qualquer que só quer gozar, sem sonho...
Achei o desapego no som das ondas... Explodem para o nada, voltam e recomeçam... Tão surdo o desapego, frio... Mas gera liberdade. Que gera a sistemática do estrago.

É quando você não sabe mais o que fazer com aquilo e estraga. Estraga tudo. Fica mais fácil estragar do que ficar com aquela sensação boba nas costas.

Eu virei o estrago? Desviro.

Durmo cedo.

Às 03:00hs da manhã:

Acordo, volto a escrever pra entender melhor tudo. Abro catálogos, vejo obras, penso: - não é possível...

Repenso...

Durmo de novo.

Dia 10/10/2010:

Acordo às 09:00hs, tem sol.

Releio todas as páginas. Releio o jornal, inclusive o Quiroga...

Pego “quase nada, sobre quase tudo”; Jean d’Ormesson, “que é que o sexo tem?”:

“O sexo confunde-se com a vida, com o tempo, com o desejo, com o prazer, com a lei e sua infração, e com o segredo. Desenha o bem e o mal e arrebata-os e mescla na mesma vertigem para além do todo. Diante de santa Tereza pintada em êxtase por Bernini na igreja do parlamento de Dijon, Charles de Bross, exclamou: “Se esse é o amor divino, eu o conheço.”

Senão o desconheço, eu também...

...

“O sexo é todo poderoso quando manifesto e talvez ainda mais poderoso quando oculto nos outros e de si mesmo, e quando subterraneamente aflige espíritos e corpos. O sexo tem seus heróis, suas vítimas, seus artistas, seus delinqüentes, seu cinema, suas listas negras, suas estampas, e seus instrumentos, seu índex e seu inferno. É capaz em transformar em sonhos, em crimes, em sofrimento, em loucura, em linguagem, em obras de arte, em trocadilhos e em divã, em lembrança e em esquecimento, em espírito de conquista ou em aparência de santidade. Em dinheiro, também. E em exploração. Especializada ou não, a literatura está repleta dessas metamorfoses. Ele é capaz inclusive de mudar-se em amor.”

O Casal Garcia Verde roda gelado em mim...

“E um instante de anseio de felicidade
Vale mais que a tão fria e vã eternidade.

...

E no entanto, que mais? De que mais, digam-me, por favor, verdadeiramente vocês tem desejo? De casas, jóias, carros, poder sobre os outros, senão o pouco de amor que súbito a vem inflamar?”

Baudelaire:
“Mãe das recordações, rainha das amantes,
Ó tu, todo meu gozo! Todo o meu dever!
Tu te recordarás das carícias flamantes,
Da lareira a doçura, da noite o prazer.
Mãe das recordações, rainha das amantes.”

O milagre brota do cotidiano...
A paixão é o que homem tem de mais íntimo.
E é ela, todavia, que com a maior brutalidade o faz sair de si.
O que move o homem, o que o faz agir e tentar mudar o mundo, não é o pensamento, a razão, a dúvida ou o sentimento – é a paixão.

Todos procuram a felicidade, e a infelicidade muito amiúde faz parte da felicidade. A grandeza da paixão, que transtorna tudo à sua passagem, reside em dar as costas à felicidade. Exalta a quem ela própria fere, inebria-o, enlouquece-o, e a nosso pedido instante, para mais nos aprazer, por expressa ordem nossa, destrói-nos.

“Óh alma minha, não aspire à vida imortal, mas esgote o campo do possível.” (Píndaro)

Onde está a minha inspiração?
Eu não vivo sem paixão.
Esse poderia ser o ponto final dos meus 40, mas não, é apenas o ponto de partida.
Estou pronta.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Rock and Roll: falta 01 dia!



Me fazer humana é um aprendizado
miudo
de todo dia
varrendo das coisas sua viscosidade
com mãos de oceano
abrir as porteiras os muros
as sebes
soltar os gritos e os pássaros contidos
é um aprendizado de todo dia
me fazer humana apesar de tudo
desse uivo errante
debruçada no parapeito do poema
onde uma lua naufragada se contempla

Roseana Murray


Correndo o mais rápido que elas podem
O Homem de Ferro vive novamente!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Presentes

Presentes chegando de todos os amigos, antes mesmo do dia 10, leitores do blog, e-mails, flores.
Queria agradecer aqui, e também revelar que eu adoro falar essa palavra...
Tão pequena, tão fácil pronúncia... Tão rejeitada por tantos e tão amada por outros:
- Obrigada!

Dividindo um pouco com vocês desses presentes:

Olhar

Meus olhos engolem
um mundo que me escapa
quando abro a boca.

Minha mão retém
no papel, pele de signos,
o sinal da vida.

A fruta que colho
dessa árvore mutante
é pura semente.

Semeio. Aguardo
as flores multiplicadas
num simples sorriso.

Criou. Sou criança
outra vez. E desafio
meu olhar a olhar.

Angela Leite de Souza

Bel,
flores pra você que, constantemente
faz do olhar guia mestre e poliniza sentimentos.
Aproveite com exuberante alegria seus 40 anos.
Com carinho,
Heloisa

Há um jarro de lírios brancos na minha frente...

Ilhada

Há 03 dias dos meus 40 me sinto ilhada. Ilhada em mim mesma.
É como se eu não pudesse sair. Estou num pedaço de terra com águas por todos os lados.
A água, singular de sentimentos, é a forma de expressar emoção, vontades, amor.

Quero pular nesse mar, mas não me deixam. Nadar até terra firme, mas não é o momento. Quem sabe daqui 3 dias? Quem sabe um dia?

No meio do barroco brasileiro: esta ilha é de montanhas. Para consagrar essa posição: um arquipélago me espera. Passarei meus 40 literalmente ilhada. Ir além do meu limite, na ilimitada verdade, único lugar seguro onde você refaz destroços, junta pedaços e se revê.
Sexta-feira pego meu vôo à noite para São Paulo. Sábado de manhã, estrada, e um barco me espera em Ubatuba.

Nessa avalanche de emoções Ouro Preto não consegue me segurar. Ao contrário, me expulsa, me joga para fora e me pede tempo, doçura.

A cidade quer criar, ficar só, lamentar, pensar, mas sem a minha figura por perto... Eu deixo, mas não me calo. Falo tudo, jogo um turbilhão de palavras em cima de um raio de 2 quilômetros. Raio! Raios! Não me acostumo com ele.

A cidade me inspira, me aspira e me joga no mar agitado, no meio do Oceano Atlântico. Eu nado, nado, nado... E hoje, ainda, não chego em lugar algum. Mas daqui 3 dias, tudo pode mudar, pois na ilha, na ilha dos meus desejos, às 7:30 da manhã do dia 10 de outubro, renasço e nado feito um pintado em busca de água doce.

Água doce para matar a sede. Me refaço e retorno para me entregar para as montanhas.