terça-feira, 31 de agosto de 2010

Paz e Amor

Sabe aquele dia que você acorda coloca qualquer roupa e fica lindo!
Veste laranja com vermelho e se acha a tal na frente do espelho!
Você tá tão bem, tá tudo tão gostoso que você vai trabalhar de pijama e todo mundo te acha o máximo!!
Eu não poderia deixar de postar isso hoje. Porque, este ano, eu devo ter tido uns 2 ou no máximo 3 dias iguais a esse!

Gente, como é bom ser livre! Estar de bem com a vida, com o mundo!

Isso tá com cara de manifesto, mas não é o Mitos Vadios II do Sr. Granato, que por sinal eu também amo, este aqui é o manifesto da leveza, da delícia: manifesto paz e amor!

E nada melhor que Diana Krall para falar de paz e amor...

Ótima terça para todos! Merecidamente!

domingo, 29 de agosto de 2010

"Não querida, hoje eu não posso..."

Ela acorda, a cama está vazia...
Percorre toda a casa, procura por ele, mas ele já tinha ido embora... Procura no quintal, na garagem, não há nenhum vestígio... Nem um sinal... Um fio de cabelo, um par de meias... Ela se cheira, cheira os lençóis, nada... Acha um copo d'água, resto de água dele, bebe a água.
Passa a língua nos lábios e sua boca está amortecida, esse é o único sinal da noite passada: boca dolorida, seu corpo mole, o vazio na cama e a descontinuidade do amor...
Essa descontinuidade a mata, o ter e, ao mesmo tempo, não ter resulta numa simbiose de sentimentos irregulares.
Ela se toca, pensa nele, a cama gira, os lençóis estão vermelhos de sangue. Tudo está vermelho, vermelho rubi, vermelho chamas, vermelho, vermelho... Coração vermelho.
Rosas vermelhas dialogam com o quarto. Ela não aguenta e as despetala em cima da cama, mais vermelho, o colchão vira um mar de pétalas vermelhas, um mar de vontades...
Leonardo Cohen toca, ela quer dançar antes do café da manhã, quer tudo de volta, apenas meia hora, uma hora, 40 minutos, 40 anos... Ela quer aquela felicidade ambígua.
Liga para ele e diz:
- Preciso, preciso de mais 40 minutos, talvez um almoço de domingo (?)
Ele responde:
- Não querida, hoje eu não posso, já tenho compromisso...

O chão é duro, ela quer voar... Ela quer dançar!

Dance Me to the End of Love:


terça-feira, 17 de agosto de 2010

40 até quando?

Ela veste 40 no número da calça, veste 40 no sutiã, sempre foi 8 ou 80, mas agora, fica nos 40...
Havia dias que andava tranquila, solta, pensando em outras coisas, pensando em apenas esquecer...
Ontem, quando o radar tocou no chat, ela foi 40... Não deu pra ser 80, nem 100, mesmo querendo ser. Ela é 40 e pronto.
Se acha 40 no corpo, isso quer dizer, nem 100, nem 80, talvez 60, mas 40 tá ok se fosse valer nota... Um perfeccionismo bobo e só.
Ela completa os seus 40. De corpo e alma.
Num silêncio danado, lá estava ela, no meio da casa... Silêncio dela, silêncio das crianças, todo mundo resolveu ficar quieto... Cada um resolveu pensar em suas vidas. Cada um no seu canto. Não há sons. Eram 21:30hs e parecia que todos pararam de respirar.
Ela pensava em qual fantasia seria mais adequada para o momento da espera...
Pensava em ser mais dele do que dela própria, querendo mais que podia. Para parar de pensar, escrevia : - Isso, escreve, acalma, fica quieta.
Achava que tudo não tinha passado de um lapso, mas que nada... Tudo volta quando ela fala com ele, parece que ela nem se reconhece, parece um mal entendido subjetivo e aí vem uma energia de tirar qualquer um do chão.
- O que é isso, meu Deus? Se pergunta.
Ela não quer, não quer, mas quer, quer, quer, quer mais... Um antagonismo de vontades...
Mexe na web, quer ver... Quer comprar coisas surpreendentes, aquilo que não pode. Quer escrever aquilo que também não pode. Quer ser aquilo que não pode ser, mas é, é ela, ela é aquilo, ela é isso.
Quer ser a chuva que não caiu sobre a cabeça dele, quer ser o frio que não congelou seus ombros, quer ser a nuvem calma que não caiu nas suas vistas... Quer ser ela, por inteiro.
Toma o vinho, promete que será apenas uma taça e ele desce, vai dimininuindo a quantidade dentro da garrafa, cada vez menos. Aí escreve, escreve, escreve... Apaga, apaga, apaga...
Palavras em vão que, juntando, dão um contexto: explosão!
Se vê desfilando com outros homens, mas quando lembra dele, sente-se única, imposta, a postos: - Ai, que quê é isso??
Ele a seduz com um beijo no rosto, a olha, olha de novo e de novo e de novo e de novo...
Ela usa suas escritas.
Parecem mais poesia que crônica.
Parecem mais filosofia que história.
Parecem tudo. Parece só isso, que é muito mais que isso...
Viaja, foje, vai pra São Paulo, Brasília, Chile, não quer ficar parada... Talvez as únicas pessoas mais interessantes e sensíveis da cidade onde mora, vivem a 1000 metros uma da outra e nunca se quer, tinham percebido isso. Ou tinham? Agora perceberam e não podem se ver todos os dias. A cidade torna-se grande.
A distância sem distância os trás o prazer, quase que longínquo, de algo impossível, fazendo disso arte. Pelo menos ela faz.
"- Ahh..." Esses 40 a leva a forma mais louca de dizer sim. Sim, sim, ela quer mais.
Liga no delivery do vinho, que por acaso existe neste lugar, fala: - me mande mais 2 garrafas.
Ela quer, ao menos, uma garrafa por noite, enquanto o devaneio não chegar.
Quer tudo.
E solta:
- Ai que sensação boa, foge de mim! Foge!

sábado, 7 de agosto de 2010

Vamos!

Escrever é um estado de espírito.
Tem dias que não dá. Não tem jeito.
É como uma tempestade repentina que chega e faz aquele escarcéu.
Hoje minhas mãos olhavam pro computador, passavam pelo teclado sufocadas...

Foram tantas coisas esta semana, mas a Rosa Di Maulo já tinha me avisado...
A semana será cheia, cheia de 'causos', surpresas. E foi. Trabalho, filhos, coração, emoções fortes...

Falei 'sim' para tudo: - Sim, sim, sim, quero, quero, quero, vou, vamos!

Porque não? Porque sim! Quero, quero de algum modo tudo isso. Algumas possíveis, outras impossíveis, mas as quero.

A vida está pedindo um novo olhar, as pessoas a minha volta também querem. Vamos fazer, 'ok' já entendi, vamos mudar tudo! Ou quase tudo...

Hoje eu precisava de luz, de cor... Liguei pra floricultura:

- Débora, sou eu Bel, o que você tem pra mim?
- Puxa Bel, agora, não tem muita coisa: lírios cor de rosa, hortênsias, orquídeas...
- Estão bonitas?
- Sim, estão. É que as de vaso que você gosta acabaram...
- Não tem problema me manda essas que vc tem...
- São pra presente?
- Não, não, são pra mim, pra casa... Mas me manda como se fossem pra presente sim...
- E vc quer das 3?
- Quero todas!

Eu precisando de cor... Não que eu não faça isso sempre. Não dá pra viver sem flores, sem aquela mesa de café da manhã bem linda, sem aqueles chamegos diários de você para você mesmo. Isso muda o tom do dia a dia. Muda o gesto diário. Sai rotina! Mas liguei para floricultura 3 da tarde. Geralmente quando quero dar esse ar pra casa, já vou cedo, planejo como uma boa libriana, cada canto, cada vaso. Hoje não! Eu queria flores, não importava se eram de hastes, de vaso, só me importava se estavam bonitas e coloridas. Impulso, acordei impulsionada.

A semana, com toda a liberdade, foi de deixar alguns bobos, outros nervosos, outros surpresos, outros nem imagino como... Mas a surpresa maior foi a minha própria surpresa. A surpresa de me pegar surpreendida. São nesses momentos que a terra gira de trás para frente dentro de nós. E vem aquele colorido de inovações faminto para te devorar e você simplesmente deixa.

domingo, 1 de agosto de 2010

I'm your man...

Há 69 dias dos meus 40, uma música tomou conta do meu dia...
Será que foi a música? Quem mandou a música? A letra? Será que foi o Michael Bublé? Ou seria o próprio Leonard Cohen?
Ou talvez, o instigante 69?? Hoje não sei mais nada...
Só sei que ouvi, adorei, cantei, ouvi de novo e de novo... Mandei pra algumas pessoas escolhidas a dedo. E agora resolvi postar aqui no Crise dos 40. Porque essa musica é pura crise, é pura vontade, sensualidade...

Colocar no último volume e sair cantando não é nada mal, experiência própria...

Me encontro nela.


I' m Your Man

If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I'm your man

If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I'll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I'm your man

Ah, the moon's too bright
The chain's too tight
The beast won't go to sleep
I've been running through these promises to you
That I made and I could not keep
Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or I'd crawl to you baby
And I'd fall at your feet
And I'd howl at your beauty
Like a dog in heat
And I'd claw at your heart
And I'd tear at your sheet
I'd say please, please
I'm your man

And if you've got to sleep
A moment on the road
I will steer for you
And if you want to work the street alone
I'll disappear for you
If you want a father for your child
Or only want to walk with me a while
Across the sand
I'm your man

If you want a lover
I'll do anything that you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you

Sou Seu Homem

Se você quiser um amante
Eu farei tudo o que me pedir
E se quiser outro tipo de amor
Eu usarei uma máscara por você
Se quiser um parceiro,
toma a minha mão
ou se quiser me derrubar, de raiva
Aqui estou eu
Eu sou o teu homem

Se quiser um pugilista
Eu entrarei no ringue por você
E se quiser um médico
Eu examinarei cada centímetro de você
Se quiser um motorista,
entra
Ou se quiser me levar a dar um passeio
você sabe que pode
Eu sou o teu homem

Oh, a lua brilha demais
A corrente está apertada demais
A besta não vai adormecer
Tenho recordado essas promessas
Que fiz e não pude cumprir
Mas um homem nunca recuperou uma mulher
Por pedir de joelhos
Ou eu rastejaria para você, querida
E cairia aos teus pés
E uivaria à tua beleza
como uma cadela no cio
E agarrar-me-ia ao teu coração
E choraria nos teus lençóis
Diria por favor, por favor
Eu sou o teu homem

E se tiver que dormir,
por instantes, na estrada
Eu conduzirei por você
E se quiser andar na rua, sozinha
Eu desaparecerei por você
Se quiser um pai para a tua criança
Ou apenas caminhar um pouco comigo
Pela areia
Eu sou o teu homem

Se quiser um amante
Eu farei tudo o que me pedir
E se quiser outro tipo de amor
Eu usarei uma máscara por você

terça-feira, 20 de julho de 2010

Vínculos

Vínculos só o tempo traz.

Isso é o lado bom da idade. Os 40 chegam em alto e bom tom trazendo as pessoas que me inventaram, me fizeram profissionalmente, juntos comigo, ao meu lado. Outras que acabaram de chegar mas parecem que sempre estiveram comigo. As que voltaram feito um furacão e as que resolveram reaparecer, inusitadamente, em grande estilo. Fato proposital vital?

Meus 40 estão revolucionando a minha alma, o meu jeito, as minhas vontades. Nada importante deixo passar desapercebido. Falo tudo.

Durante a semana passada, a qual me ausentei do blog por motivos de muito trabalho - dei início a minha festa dos 40 - no teatro Casa da Ópera aqui em Ouro Preto, inaugurado em 1770, o mais antigo da América Latina.

E, claro que, eu não poderia abrir esse evento sem falar algumas palavras. Mostro aqui meu manifesto, manifesto de amor, o qual deu inicio a toda a produção do lançamento do livro de Ivald Granto, "Gesture and Art". Afinal eram os meus 40 anos com mais 40 anos de arte de meu mestre e amigo Granato. Não poderia ter sido diferente:

Senhoras e senhores

Meus queridos amigos

Alguém certamente já disse que nós, animais humanos, somos feitos não só do que a herança genética nos impõe, sempre contra a nossa vontade, mas de tudo o que vivemos, do somatório de experiências a que chamamos vida – e, portanto, das pessoas com quem nos relacionamos, movidos pelo amor, pelo ódio ou pela indiferença.

Mas principalmente pelo amor.

Àquilo que o sangue gravou em nós desde muito antes do nosso nascimento, essas pessoas a quem amamos – e que também nos amam – acrescentam, todos os dias, partículas de transformação, de mudança. Elas nos modificam com seus gestos, com seus olhares, com as faces de suas personalidades com as quais nos identificamos ou não. Assim, um pouco a cada dia, a convivência marcada pelo amor tem o dom de nos transformar – e, principalmente, de nos tornar melhores.

Eu tive a alegria e o privilégio de experimentar essa verdade em minha própria vida, ao conviver com esses dois magníficos artistas que reúno hoje aqui, à sombra do Museu da Inconfidência, do teatro Casa da Ópera, junto com meu querido Jorge Fonseca, respirando o mesmo ar de liberdade que, nestas montanhas, tantos artistas e revolucionários já respiraram.

Cada um a seu modo, Ivald Granato e Inos Corradin são marcos da arte brasileira – e vocês terão a oportunidade de conhecer um pouco da magia desses homens esta noite.

Mas, para mim, eles são principalmente amigos, homens que conheço desde que, adolescente insegura, eu buscava um sentido para a vida. E eles, Ivald e Inos, cada um a seu modo, às vezes tão antagônicos, mas sempre singulares, únicos e especiais, me ajudaram a construir meu próprio caminho – muitas vezes em silêncio, muitas vezes apenas sorrindo, outras vezes bebendo um bom uísque, mas sempre me mostrando o quanto amor e liberdade são as únicas leis que devem marcar todos os destinos.

E tem início a noite de bate-papo. Com a palavra: Ivald Granato.


terça-feira, 6 de julho de 2010

Reinventar-se

Reinventar-se seria começar do zero?

Seria o princípio do nada, do incondicional, tantos aos 20, quanto aos 40, quanto aos 60 anos.
Uma suposição? Não, novos conceitos mesmo e, eles tomam conta de você. Aquilo que não existia começa a existir, o que era preto fica branco, o impossível, possível. Reiventar-se significa o desafio de mudar todo o seu jeito de ser, ter, querer, dar, amar...

Longe de Sartre que disse que o homem devia reinventar-se todos os dias, para mim, na íntegra, é querer a mudança mais profunda, mais radical. Transformar obstáculos em aliados, mudar a lente dos óculos e caminhar do outro lado da calçada. Seria encontrar a coragem ainda em gestação e adotá-la como filha.

Largar tudo? Talvez sim, talvez nem precise de tanto, mas se deixar levar por uma outra onda. E isso, definitivamente, não é para qualquer um. É tentar se consertar, mas antes disso, entender estes desconfortos é coisa pra mestre. Aceitá-los, golpe de mestre.

Olhar em volta e ver que tudo poderia ser diferente e querer essa metamorfose para você, já é, no mínimo, heróico.

Seu eu pudesse reinventar minha própria história, hoje, eu a reiventaria. E reinventá-la seria, na realidade, a tentativa de reinventar também a história de outras pessoas que passaram por ela. Tudo tão longe do possível, pois reiventar-se é um ato subjetivo, próprio. Ninguém reinventa ninguém.

E dentro dessa analogia, vendo apenas uma única saída, é continuar se investigando para se deixar seduzir por essa doce vontade de virar frágil. E deixar ser investigada também.

"Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada."
Cecília Meireles