sexta-feira, 3 de setembro de 2010

“Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos”

Excêntrica, louca, caótica, perturbada, criativa, madura, melancólica, romântica. Hoje me vi. Me olhei e lá estava eu.

Acenei para meus meus filhos e eles olharam para mim: séria, chata, severa, divertida, matriarcal, solta, louca, amorosa, sincera, sólida. Eu: o chão de meus filhos.
Meu mais velho me olha profundamente, sorri e me diz: - Obrigada mãe, obrigada por você ser você.
Solta uma gargalhada: - Mesmo louca! hahahahahaha

Nessa síntese, esse resultado do meu eu com a mãe deles: a verdade. Veracidade. Fazer o quê? Pensei eu comigo mesma o dia todo... Fazer o quê? Se engula. Invente aquela roupa desuniforme para sair por sua noite sozinha e retire o desacerbado estranho que ficou de ontem.

Lavei os cabelos e mudei o jeito de arrumar... Se sou tudo isso esses cabelos estão precisando ficar diferentes, menos certinhos. Espetei tudo pra cima e fui me reconhecendo. Sou descabelada, ainda por cima descabelada... Putz... Fui pondo gel, pasta, puxando gomos e mais gomos e um 'eu' foi aparecendo no espelho... Hoje quero sair assim, me reconheçam! Podem me olhar à vontade... Ainda por cima quero beber, que me vejam tonta e descabelada. Talvez bela, chic, hippie, mas serei eu.

Todas essas pessoas sou eu!

Tomei banho, coloquei a roupa, pintei os olhos de negro. Me olhei pela última vez no espelho e tranquei a porta do armário.

Sai.

Inspirada, sonhadora, insegura, excessiva e repleta de boas intenções.


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

40 cultural

Eu poderia ter nascido Maria Gurgel, Isabel Gurgel, Maria Amaral, Isa Amaral, Isabel Amaral Gurgel... Mas não...


...Eu nessa luta, intensa, há 20 anos, sem parar. Uma coisa atrás da outra... muita, muita coisa, muito esforço.

Carreguei quadros, aguentei artistas lindos, artistas chatos, loucos, bons, ruins. Carreguei móveis, fiz feiras de arte, artesanato, fiz design italiano na rua misturado com móveis de Minas Gerais, fiz gente desconhecida ficar famosa, curadorias para artistas jovens, lançamentos, passei por artistas consagrados e desconsagrados... Organizei arquivos, ateliês, fiz assessoria de imprensa em troca de obras, passei por galerias pequenas, médias e grandes...

Coloquei dinheiro meu em metade dos projetos. Virei e disvirei. Endividei, paguei, endividei de novo, paguei e paguei. Paguei pra transformar o sonho em realidade.

Briguei com chatos. Amei outros fantásticos.

Me lembro do Circo do Teatro Mambembe, em Boiçucanga, há dezoito anos atrás. Aquele verão, calor de 40 graus, e a gente produzindo um show atrás do outro, embaixo daquela lona, junto à performances de artistas plásticos, circenses.

Eu com 24 anos, grávida do João, e a produção do show da Madonna me convidando para trabalhar: o médico não liberou porque minha pressão estava alta. Fiquei fula da vida!

Foi muita coisa, muitos projetos... Escreve, escreve. Patrocínio: pede, pede.. Não atrás de não... Alguns "sim"... Projeto em São Paulo, Jundiaí, Belo Horizonte, Medellin, Bahia, Bogotá, Antonio Pereira, Ouro Preto... Ahhh Ouro Preto...

Já andei muito por essas ladeiras, achando que nada tinha valido a pena... Desgostosa, frustrada...Pensei em parar, desistir; olhei inúmeras vezes pra trás e achei que tinha sido em vão, que tinha jogado tudo fora: energia, dinheiro, vontades, tesão, que tudo não havia passado de uma grande bobagem... Pensei que fazer cultura no Brasil era loucura, que era pra milionário, filhinho de papai, que dar metade do que eu tinha para os projetos era surrealista. Mas fiz! não parei, não consegui parar. Trabalhava 17 horas por dia.

Depois que a Sofia nasceu, há 5 anos atrás, falei pra mim mesma: - Vou parar tudo, chega, vou vira mãe, dona de casa, ficar quieta. Esquece esses 15 anos. Mas como? Tem coisas que não tem volta...

E, agora, aos meus 40, começa a se formar um murmurinho em volta de mim, uma outra energia, algo que eu ainda não tinha sentido, um outro sabor... Uma relação instigante de ser quem eu sou, o resultado de toda loucura.

Meu pai queria que eu fosse algo que eu amasse, mas no fundo ele achava que eu poderia ser advogada, médica, engenheira... Nada disso aconteceu. Eu fui ser arteira! Mas só pude ser essa arteira, porque meu pai me deu essa chance. Esse post é o meu agradecimento a ele, que, indiretamente, nunca me deixou desistir... Há 38 dias dos meus 40, me lembro de meu pai intensamente, pois ele me deu a chance de ter nascido e ser Bel Gurgel.


“Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!”
Manuel Bandeira

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Paz e Amor

Sabe aquele dia que você acorda coloca qualquer roupa e fica lindo!
Veste laranja com vermelho e se acha a tal na frente do espelho!
Você tá tão bem, tá tudo tão gostoso que você vai trabalhar de pijama e todo mundo te acha o máximo!!
Eu não poderia deixar de postar isso hoje. Porque, este ano, eu devo ter tido uns 2 ou no máximo 3 dias iguais a esse!

Gente, como é bom ser livre! Estar de bem com a vida, com o mundo!

Isso tá com cara de manifesto, mas não é o Mitos Vadios II do Sr. Granato, que por sinal eu também amo, este aqui é o manifesto da leveza, da delícia: manifesto paz e amor!

E nada melhor que Diana Krall para falar de paz e amor...

Ótima terça para todos! Merecidamente!

domingo, 29 de agosto de 2010

"Não querida, hoje eu não posso..."

Ela acorda, a cama está vazia...
Percorre toda a casa, procura por ele, mas ele já tinha ido embora... Procura no quintal, na garagem, não há nenhum vestígio... Nem um sinal... Um fio de cabelo, um par de meias... Ela se cheira, cheira os lençóis, nada... Acha um copo d'água, resto de água dele, bebe a água.
Passa a língua nos lábios e sua boca está amortecida, esse é o único sinal da noite passada: boca dolorida, seu corpo mole, o vazio na cama e a descontinuidade do amor...
Essa descontinuidade a mata, o ter e, ao mesmo tempo, não ter resulta numa simbiose de sentimentos irregulares.
Ela se toca, pensa nele, a cama gira, os lençóis estão vermelhos de sangue. Tudo está vermelho, vermelho rubi, vermelho chamas, vermelho, vermelho... Coração vermelho.
Rosas vermelhas dialogam com o quarto. Ela não aguenta e as despetala em cima da cama, mais vermelho, o colchão vira um mar de pétalas vermelhas, um mar de vontades...
Leonardo Cohen toca, ela quer dançar antes do café da manhã, quer tudo de volta, apenas meia hora, uma hora, 40 minutos, 40 anos... Ela quer aquela felicidade ambígua.
Liga para ele e diz:
- Preciso, preciso de mais 40 minutos, talvez um almoço de domingo (?)
Ele responde:
- Não querida, hoje eu não posso, já tenho compromisso...

O chão é duro, ela quer voar... Ela quer dançar!

Dance Me to the End of Love:


terça-feira, 17 de agosto de 2010

40 até quando?

Ela veste 40 no número da calça, veste 40 no sutiã, sempre foi 8 ou 80, mas agora, fica nos 40...
Havia dias que andava tranquila, solta, pensando em outras coisas, pensando em apenas esquecer...
Ontem, quando o radar tocou no chat, ela foi 40... Não deu pra ser 80, nem 100, mesmo querendo ser. Ela é 40 e pronto.
Se acha 40 no corpo, isso quer dizer, nem 100, nem 80, talvez 60, mas 40 tá ok se fosse valer nota... Um perfeccionismo bobo e só.
Ela completa os seus 40. De corpo e alma.
Num silêncio danado, lá estava ela, no meio da casa... Silêncio dela, silêncio das crianças, todo mundo resolveu ficar quieto... Cada um resolveu pensar em suas vidas. Cada um no seu canto. Não há sons. Eram 21:30hs e parecia que todos pararam de respirar.
Ela pensava em qual fantasia seria mais adequada para o momento da espera...
Pensava em ser mais dele do que dela própria, querendo mais que podia. Para parar de pensar, escrevia : - Isso, escreve, acalma, fica quieta.
Achava que tudo não tinha passado de um lapso, mas que nada... Tudo volta quando ela fala com ele, parece que ela nem se reconhece, parece um mal entendido subjetivo e aí vem uma energia de tirar qualquer um do chão.
- O que é isso, meu Deus? Se pergunta.
Ela não quer, não quer, mas quer, quer, quer, quer mais... Um antagonismo de vontades...
Mexe na web, quer ver... Quer comprar coisas surpreendentes, aquilo que não pode. Quer escrever aquilo que também não pode. Quer ser aquilo que não pode ser, mas é, é ela, ela é aquilo, ela é isso.
Quer ser a chuva que não caiu sobre a cabeça dele, quer ser o frio que não congelou seus ombros, quer ser a nuvem calma que não caiu nas suas vistas... Quer ser ela, por inteiro.
Toma o vinho, promete que será apenas uma taça e ele desce, vai dimininuindo a quantidade dentro da garrafa, cada vez menos. Aí escreve, escreve, escreve... Apaga, apaga, apaga...
Palavras em vão que, juntando, dão um contexto: explosão!
Se vê desfilando com outros homens, mas quando lembra dele, sente-se única, imposta, a postos: - Ai, que quê é isso??
Ele a seduz com um beijo no rosto, a olha, olha de novo e de novo e de novo e de novo...
Ela usa suas escritas.
Parecem mais poesia que crônica.
Parecem mais filosofia que história.
Parecem tudo. Parece só isso, que é muito mais que isso...
Viaja, foje, vai pra São Paulo, Brasília, Chile, não quer ficar parada... Talvez as únicas pessoas mais interessantes e sensíveis da cidade onde mora, vivem a 1000 metros uma da outra e nunca se quer, tinham percebido isso. Ou tinham? Agora perceberam e não podem se ver todos os dias. A cidade torna-se grande.
A distância sem distância os trás o prazer, quase que longínquo, de algo impossível, fazendo disso arte. Pelo menos ela faz.
"- Ahh..." Esses 40 a leva a forma mais louca de dizer sim. Sim, sim, ela quer mais.
Liga no delivery do vinho, que por acaso existe neste lugar, fala: - me mande mais 2 garrafas.
Ela quer, ao menos, uma garrafa por noite, enquanto o devaneio não chegar.
Quer tudo.
E solta:
- Ai que sensação boa, foge de mim! Foge!

sábado, 7 de agosto de 2010

Vamos!

Escrever é um estado de espírito.
Tem dias que não dá. Não tem jeito.
É como uma tempestade repentina que chega e faz aquele escarcéu.
Hoje minhas mãos olhavam pro computador, passavam pelo teclado sufocadas...

Foram tantas coisas esta semana, mas a Rosa Di Maulo já tinha me avisado...
A semana será cheia, cheia de 'causos', surpresas. E foi. Trabalho, filhos, coração, emoções fortes...

Falei 'sim' para tudo: - Sim, sim, sim, quero, quero, quero, vou, vamos!

Porque não? Porque sim! Quero, quero de algum modo tudo isso. Algumas possíveis, outras impossíveis, mas as quero.

A vida está pedindo um novo olhar, as pessoas a minha volta também querem. Vamos fazer, 'ok' já entendi, vamos mudar tudo! Ou quase tudo...

Hoje eu precisava de luz, de cor... Liguei pra floricultura:

- Débora, sou eu Bel, o que você tem pra mim?
- Puxa Bel, agora, não tem muita coisa: lírios cor de rosa, hortênsias, orquídeas...
- Estão bonitas?
- Sim, estão. É que as de vaso que você gosta acabaram...
- Não tem problema me manda essas que vc tem...
- São pra presente?
- Não, não, são pra mim, pra casa... Mas me manda como se fossem pra presente sim...
- E vc quer das 3?
- Quero todas!

Eu precisando de cor... Não que eu não faça isso sempre. Não dá pra viver sem flores, sem aquela mesa de café da manhã bem linda, sem aqueles chamegos diários de você para você mesmo. Isso muda o tom do dia a dia. Muda o gesto diário. Sai rotina! Mas liguei para floricultura 3 da tarde. Geralmente quando quero dar esse ar pra casa, já vou cedo, planejo como uma boa libriana, cada canto, cada vaso. Hoje não! Eu queria flores, não importava se eram de hastes, de vaso, só me importava se estavam bonitas e coloridas. Impulso, acordei impulsionada.

A semana, com toda a liberdade, foi de deixar alguns bobos, outros nervosos, outros surpresos, outros nem imagino como... Mas a surpresa maior foi a minha própria surpresa. A surpresa de me pegar surpreendida. São nesses momentos que a terra gira de trás para frente dentro de nós. E vem aquele colorido de inovações faminto para te devorar e você simplesmente deixa.

domingo, 1 de agosto de 2010

I'm your man...

Há 69 dias dos meus 40, uma música tomou conta do meu dia...
Será que foi a música? Quem mandou a música? A letra? Será que foi o Michael Bublé? Ou seria o próprio Leonard Cohen?
Ou talvez, o instigante 69?? Hoje não sei mais nada...
Só sei que ouvi, adorei, cantei, ouvi de novo e de novo... Mandei pra algumas pessoas escolhidas a dedo. E agora resolvi postar aqui no Crise dos 40. Porque essa musica é pura crise, é pura vontade, sensualidade...

Colocar no último volume e sair cantando não é nada mal, experiência própria...

Me encontro nela.


I' m Your Man

If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I'm your man

If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I'll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I'm your man

Ah, the moon's too bright
The chain's too tight
The beast won't go to sleep
I've been running through these promises to you
That I made and I could not keep
Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or I'd crawl to you baby
And I'd fall at your feet
And I'd howl at your beauty
Like a dog in heat
And I'd claw at your heart
And I'd tear at your sheet
I'd say please, please
I'm your man

And if you've got to sleep
A moment on the road
I will steer for you
And if you want to work the street alone
I'll disappear for you
If you want a father for your child
Or only want to walk with me a while
Across the sand
I'm your man

If you want a lover
I'll do anything that you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you

Sou Seu Homem

Se você quiser um amante
Eu farei tudo o que me pedir
E se quiser outro tipo de amor
Eu usarei uma máscara por você
Se quiser um parceiro,
toma a minha mão
ou se quiser me derrubar, de raiva
Aqui estou eu
Eu sou o teu homem

Se quiser um pugilista
Eu entrarei no ringue por você
E se quiser um médico
Eu examinarei cada centímetro de você
Se quiser um motorista,
entra
Ou se quiser me levar a dar um passeio
você sabe que pode
Eu sou o teu homem

Oh, a lua brilha demais
A corrente está apertada demais
A besta não vai adormecer
Tenho recordado essas promessas
Que fiz e não pude cumprir
Mas um homem nunca recuperou uma mulher
Por pedir de joelhos
Ou eu rastejaria para você, querida
E cairia aos teus pés
E uivaria à tua beleza
como uma cadela no cio
E agarrar-me-ia ao teu coração
E choraria nos teus lençóis
Diria por favor, por favor
Eu sou o teu homem

E se tiver que dormir,
por instantes, na estrada
Eu conduzirei por você
E se quiser andar na rua, sozinha
Eu desaparecerei por você
Se quiser um pai para a tua criança
Ou apenas caminhar um pouco comigo
Pela areia
Eu sou o teu homem

Se quiser um amante
Eu farei tudo o que me pedir
E se quiser outro tipo de amor
Eu usarei uma máscara por você