domingo, 27 de março de 2011

Novos dias vieram e virão

Voltando a escrever... Depois de um período sem inspiração, nem tempo.
Coloquei a casa em ordem, há 3 anos sem olhar pra casa... Joguei tudo fora, todos os papéis bobos, contas guardadas desde 2007. Como pode?
Meu tempo volta pra mim, minha vida de volta, minhas palavras, meus projetos lindos, grandes... Meus filhos todos os dias olhando pra mim na mesa do almoço... Comida gostosa, minha champagne, meu gosto pela vida.

A crise dos 40 continua, eu começo minha natação, aula de dança... Eu em mim mesma. Uma luta marcial pra gente tentar ser uma lutadora mais diplomata.

Novos dias, novos ares, escritório novo... Novas pessoas tentando entrar no âmbito da minha realidade. O fascínio do desconhecido pra outros... Você vendo que é querida, admirada. A descoberta da descoberta. Sempre, contínua.

Outros velhos amigos que voltam, reuniões novas, outros projetos e outros e outros...

E saber que as possibilidades são mil, que o mundo está te esperando de braços abertos.

O fado tropical ja foi, já era.

Uma nova amiga. Duas novas amigas. Três.

Você se dando novas oportunidades, uma nova vida, um novo olhar. É a vida te dizendo: - sim!




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Construção do Fado Tropical

A vida tem dessas coisas. Um dia você acorda bem, outro dia também, outro não... E assim a gente vai levando... Com sentido, sem sentido, com vontade, sem vontade. O importante é não parar.

Olhando para minha casa hoje não queria ir trabalhar. A casa me chamava para uma geral. Aquelas que só o dono pode dar. Os armários de toalhas e lençóis imploravam pelas minhas mãos dentro deles. Dei uma olhada por cima, peguei umas peças para a campanha do agasalho da escola da Sofia, nada mais.

Segui para o ballet, fim de semana com apresentação sábado e domingo, produção total na tentativa de uma vida nova.

Por falar em novo, no meio dessa agitação toda, um frisson passa pela minha vida, um ar novo, um cheiro - como diria Mari - alguém tocou nas minhas costas, olhou bem para os meus olhos e perguntou:

- Quer vir comigo?

Eu respondi:
- Quero sim, tem lugar pra mim aí?

- Tem todo o espaço do mundo para você aqui, Bela!

Simples assim, entrei nessa carruagem, fingindo ser algo comum. Minha vida mudou do dia para noite, como estalar os dedos, o céu ficou cor de rosa de vez de azul. Eu gostei desse toque rosa em cima da minha cabeça e deixei ele pairando sobre mim, como uma sombra. Não, como uma luz. Sim, os dias estão mais bonitos. Sim, as noites mais quentes.

Tudo faz mais sentido, de outra forma, de outra maneira que eu nunca havia experimentado. Não há medos para medos, não há chance para o impasse. Só há certezas, viagens e novas construções. Construções de todos os tipos, gêneros e formatos.

Segura e radiante espero dia 03 de dezembro chegar. Dia 07 na Bahia. Fim de ano diferente, sem saber para onde ir ou onde ainda ficar, mais certa que será uma passagem para 2011 no mínimo, maravilhosa, com todo colo, amor, paisagem e troca. Como se fosse o último.




quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Crise agora em canecas!




Mandei fazer 40 canecas para os 40 amigos mais especiais, que aguentam minha crise desde o início do blog, que me aguentam diariamente, assim, exatamente do jeito que eu sou.

Para os que sustentam essa crise... kkkkk

Acabei descobrindo que 40 é pouco. Que tenho mais que 40 amigos maravilhosos que querem e merecem a caneca de presente. Que maravilha!

Bom, gente, como não posso fazer, ainda, inúmeras, e sair distribuindo, pois seria bem a minha cara isso, cada uma sai a R$ 20,00.

Quem quiser adquirir é só me enviar um e-mail no belgurgel8@gmail.com. Ajeitamos tudo e mandamos via sedex!

Não esquecendo que a ilustração é da feríssima amiga Ciloca Mesquita.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O tempo

O tempo traz lucros, histórias; traz bom senso...

Estou feliz com o tempo.

Me trouxe a tranquilidade e a segurança de ser quem eu sou.


O tempo mostra quem fica, quem permanece, quem existe e quem desiste. O tempo mostra as verdadeiras caras, as várias facetas. Nada como o tempo para desestimular ou estimular. O tempo auxilia, contribui para mostrar os contornos reais do rosto, do corpo.


O tempo esclarece regras, traz à tona julgamentos, remédios, acertos e erros.


O tempo; para deixar claro quem são as pessoas, cada qual a sua maneira. Para transformar amigos em irmãos, passageiros em desastres, filhos em adultos, amores sofridos em passado. Para dar volume nas relações.

O tempo para olhar para atrás e ver quem foi e quem ficou para a história.


Para trazer um novo amor.


Para respostas certas.


O tempo que não pára. O relógio da vida que conta segundos, minutos, horas, detalhes sem medo, com astúcia.

Só o tempo para transformar. Para tirar as máscaras. Aos 40 eu, vendo essa transformação em mim e nas pessoas. Sentindo na pele. Como é bom!


É o que me faz acreditar, ressurgir, olhar com outros olhos.

É a vantagem que os 40 traz! É a grande sacada dos anos!


Eu agradeço meus 40 por não me fazer cega e me dar sabedoria para deixar que o tempo tome conta do que é realmente necessário.


Lendo um trecho do Carpinejar:

"Existe um único antídoto para a falta de tempo. Um único.
Estar apaixonado.
Esquecer de si para inventar o desejo.
O desejo transforma-se no próprio tempo.
Tudo é adiado."

O tempo para saber distinguir entre paixão, desejo e amor ou todos juntos.

O tempo para deixar ser vista, sem receios, de qualquer forma, a qualquer hora. Um livro aberto.





sábado, 16 de outubro de 2010

Salto alto!?

Estou pronta. Estou pronta sim. Pronta para os meus 40.

Sai, fiz coisas que já há anos eu queria fazer, mas nunca deu certo.
Ontem achei tempo para mim. Peguei a estrada e fui parar numa loja de tecidos que adoro. Resolvi que vou mandar fazer umas roupas...

Faz tempo que quando entro nas lojas de roupas e procuro algo diferente, inédito, não acho exatamente o que eu quero. Quando acho, são caríssimas... Vi uma túnica, numa loja que eu amo, R$ 1.800,00, que é isso? Há anos que tenho pensado nessa hipótese de criar meus próprios modelitos, mas como sempre estou correndo, nunca arranjo tempo. Arranjei.

Acordei inspirada. Eu queria virar gente grande: mais mulher, mais bela, mais colorida, mais vital!

Soltei para uma amiga: - Agora que cresci, que não sou mais criança, quero comprar um sapato de salto alto. Altíssimo!

Quer dizer que, até os 39 - fazendo uma auto-analise - eu estava achando que podia enganar, que eu ainda era a caçulinha mimada. Agora, tarde demais. Não tem mais jeito... A ladainha acabou. Os 40 chegou.

Para equilibrar, acho eu, pois não sou compulsiva, fui as compras. Pensei em túnicas com calças compridas, em florais mas não comprei, pensei em Hawai, em praia, areia. Pensei em família, amor, pensei em vestido de noiva e os modelos foram surgindo esvoaçantes... Tecidos moles para macacões folgados e mole-gatos... Tafetás, tecidos lustrosos, para túnicas e calças...

Sapatos altos, altíssimos estão por todos os lados. Quer saber? Eu quero! Procurei algo mais clin, dentro dessa infinita linha contemporânea e achei. Não comprei um, comprei dois, pensando ainda nas peças que vou criar. Pensando mais um pouco, em tudo que quero mostrar e ser aos 40. (Ouro Preto me dá licença, me ajuda pois 'estou precisada' de saltos agulha!)

No meio de tudo passo os olhos numa vitrine e vejo um jogo de lençóis brancos. A cama está montada, linda... Os lençóis me chamavam, gritavam meu nome... Mil fios... Roupas novas, sapatos altos e a cama? Onde fica? No ponto principal, claro! Jogos de lençóis novos. Macios, chiques, brancos, preferidos brancos, junto das sacolas de tafetás e saltos. União perfeita para os 40!

Quero criar o que não foi criado para mim mesma. Quero tempo para mim. Quero a casa linda junto comigo.

Um impulso vital acelerado, querendo e sentindo o novo. Respirar é bom. Viver, melhor ainda!




quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cronômetro

O que farei com o cronômetro?
Passarei ele para os 50 anos: 10 de outubro de 2020.
Toda a crise dos 40 em 10 anos... dos 39 aos 49... chegando aos 50 anos...
É muita crise!
Mas crise de rir, crise de trabalho, crise de amores, crise de ficar mais velha, crise econômica... Enfim, todas as crises!

Aguardem! Estou pensando...


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Crise dos 40!

09 /10/2010

“Emancipar-se da escravidão mental, que é identificar a própria e particular visão com o infinito abissal do Universo, é um ato de coragem, a negociação de que haja diferença entre o observador e o próprio ato de observar. Ninguém além do próprio humano no mais profundo de sua intimidade pode libertar-se do errado conceito de haver diferenças que o separem ou distanciem da natureza, de seus semelhantes ou dos astros que levitam no céu. Só vive com medo quem leva a sério demais as particularidades que o distanciam do Universo. Superar esse medo é lançar-se de braços abertos à vida, reconhecendo intimamente que tudo é vida, que tudo é da própria natureza da vida e também reconhecer que a necessidade comanda todos os passos.”

Quiroga


Chegamos. Já estamos na ilha. Não tem internet, TV, telefone, nada.

O mar estava bravo, as ondas batiam forte no barco. Vento forte no rosto.
Está frio, mas quero banho de mar e Sofia faz questão.

- Leva Yemanjá, leva embora a inhaca.

Amanhã, aos 40, estarei limpa.

É minha infidelidade no dia 10 com o blog esse sentimento que eu sinto ou eu posso mudar tudo até mesmo a história do crise dos 40? Egoísmo? Egocêntrica? Liberdade.

Estou longe. Na minha última noite dentro dos 30... Meu último dia aos 39.

Ouço as ondas batendo, ouço Chico Buarque.

Foi preciso. Me perdi as vésperas dos meus 40. O tempo dá sustos. O tempo dos outros, mais ainda.
Tive que me procurar. Me achei. Ufa! Me encontrei. Claro, não me achar numa data dessas seria dar a vitória a alguém que desconheço, eu não me reconheceria... Esses 40 me ensinaram... Me ensinaram um outro lado da moeda. O lado da razão. Do anti-sonho. Da verdade nua e crua. De ter a certeza que existe um mundo paralelo, que eu nem conhecia, onde é proibido a paixão. Não existe. Em que o sonho é jogado fora.

E sem sonho, não tem como viver. Não tem como viver meia-hora sem paixão! Não! E onde fica o encanto? Perdi? Não, não... Esse mundo não é meu... Esse mundo é de outra... Talvez de uma pervertida qualquer que só quer gozar, sem sonho...
Achei o desapego no som das ondas... Explodem para o nada, voltam e recomeçam... Tão surdo o desapego, frio... Mas gera liberdade. Que gera a sistemática do estrago.

É quando você não sabe mais o que fazer com aquilo e estraga. Estraga tudo. Fica mais fácil estragar do que ficar com aquela sensação boba nas costas.

Eu virei o estrago? Desviro.

Durmo cedo.

Às 03:00hs da manhã:

Acordo, volto a escrever pra entender melhor tudo. Abro catálogos, vejo obras, penso: - não é possível...

Repenso...

Durmo de novo.

Dia 10/10/2010:

Acordo às 09:00hs, tem sol.

Releio todas as páginas. Releio o jornal, inclusive o Quiroga...

Pego “quase nada, sobre quase tudo”; Jean d’Ormesson, “que é que o sexo tem?”:

“O sexo confunde-se com a vida, com o tempo, com o desejo, com o prazer, com a lei e sua infração, e com o segredo. Desenha o bem e o mal e arrebata-os e mescla na mesma vertigem para além do todo. Diante de santa Tereza pintada em êxtase por Bernini na igreja do parlamento de Dijon, Charles de Bross, exclamou: “Se esse é o amor divino, eu o conheço.”

Senão o desconheço, eu também...

...

“O sexo é todo poderoso quando manifesto e talvez ainda mais poderoso quando oculto nos outros e de si mesmo, e quando subterraneamente aflige espíritos e corpos. O sexo tem seus heróis, suas vítimas, seus artistas, seus delinqüentes, seu cinema, suas listas negras, suas estampas, e seus instrumentos, seu índex e seu inferno. É capaz em transformar em sonhos, em crimes, em sofrimento, em loucura, em linguagem, em obras de arte, em trocadilhos e em divã, em lembrança e em esquecimento, em espírito de conquista ou em aparência de santidade. Em dinheiro, também. E em exploração. Especializada ou não, a literatura está repleta dessas metamorfoses. Ele é capaz inclusive de mudar-se em amor.”

O Casal Garcia Verde roda gelado em mim...

“E um instante de anseio de felicidade
Vale mais que a tão fria e vã eternidade.

...

E no entanto, que mais? De que mais, digam-me, por favor, verdadeiramente vocês tem desejo? De casas, jóias, carros, poder sobre os outros, senão o pouco de amor que súbito a vem inflamar?”

Baudelaire:
“Mãe das recordações, rainha das amantes,
Ó tu, todo meu gozo! Todo o meu dever!
Tu te recordarás das carícias flamantes,
Da lareira a doçura, da noite o prazer.
Mãe das recordações, rainha das amantes.”

O milagre brota do cotidiano...
A paixão é o que homem tem de mais íntimo.
E é ela, todavia, que com a maior brutalidade o faz sair de si.
O que move o homem, o que o faz agir e tentar mudar o mundo, não é o pensamento, a razão, a dúvida ou o sentimento – é a paixão.

Todos procuram a felicidade, e a infelicidade muito amiúde faz parte da felicidade. A grandeza da paixão, que transtorna tudo à sua passagem, reside em dar as costas à felicidade. Exalta a quem ela própria fere, inebria-o, enlouquece-o, e a nosso pedido instante, para mais nos aprazer, por expressa ordem nossa, destrói-nos.

“Óh alma minha, não aspire à vida imortal, mas esgote o campo do possível.” (Píndaro)

Onde está a minha inspiração?
Eu não vivo sem paixão.
Esse poderia ser o ponto final dos meus 40, mas não, é apenas o ponto de partida.
Estou pronta.